domingo, 20 de julho de 2008

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Fim da remissão...

Foram quase 6 meses de vida "normal",um ou outro probleminha que não comprometia minha vida social,não produzia dor,não alterava minha rotina...
Semana passada a retocolite ulcerativa(RCU) deu o ar da graça,deixando meus dias mais cinza,minhas noites mais sofríveis,com medo de ir à rua e não conseguir controlar a vontade própria de meu intestino(nunca consigo controlar mesmo).
A dor,não sei se consigo descrevê-la ao certo,mas é como se rasgasse meu abdômem,não me deixando postura antálgica,viro para um lado,para o outro,e continua a dor...
Causas,não sei ao certo o que levou-me a ter essa doença,mas sei o que não devo comer,o que não devo fazer para que ela seja minimizada,não me estressar...
E como não me estressar?
Será que alguém tem a fórmula para eu evitar o dito estresse,a não ter as preocupações do dia-a-dia?
Já tentei meditar,tornar-me uma pessoa mais zen,mas ser anciosa é algo que vem de família...já tentei praticar exercícios,como caminhar,para liberar endorfinas e deixar-me mais feliz,mas meu joelho reclamou,e muito!Diminui o rítmo e a frequência,mas não parei.Mas ainda assim,continuo com "os nervos à flor da pele".
Sei que abusei um pouco na carne vermelha,um dos meus grandes vilões.Mas como resistir a um suculento bife mal passado?Diminui a ingestão mas não aboli,mas sei que não está longe o dia que terei que largar esse hábito de lado,assim como muitos outros prazeres gastronômicos que já larguei ou que terei que fazê-lo.O que restará?Putz...acho que serei escrava da banana prata,batata cozida e do frango ou peixe grelhado(e terei que descartar o meu adorado salmão por ser gorduroso demais para meu organismo)...mas se eu conseguir evitar a dor e as crises...

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Dia Internacional de Histórias de Vida

Fui "intimada" ontem a escrever uma das minhas histórias de vida no blog da minha prima(ponto do conto) pelo dia internacional de histórias de vida,hoje,dia 16 de maio.Passei as últimas 24 horas pensando qual contar,uma vez que tenho muitas,algumas tristes,outras alegres.Mas,como acho que na vida nada é por acaso,escolhi uma que tem tudo a ver com o dia de hoje para mim.Resolvi trazer para aqui o que lá postei.

Vivi 19 anos ao lado do meu pai.Foram poucos anos para o muito que deixei de aprender com ele, porém muitos para a enorme quantidade de brigas que tínhamos.

Filha única,perdi minha mãe aos 8 anos de idade(essa é uma história a parte que outro dia conto),e meu pai passou a ser um pai-mãe,como ele mesmo dizia.Tornou-se um pai super protetor e nossa diferença de idade,47 anos,piorou nosso relacionamento,quando entrei na adolescência.

Nada,praticamente,ele deixava eu fazer.Eu não podia ficar de papo no telefone,como todas adolescentes ficavam,não podia ir ao cinema com amigas.Nas festas,quando ele deixava ir,eu só podia ficar até às 22:00,horário esse também limite para eu ver televisão.Estudar era minha única obrigação,e a mais cobrada por ele,fosse o dia que fosse,sábado,domingo,férias,ele fazia-me estudar.Eu não tinha vida de uma adolescente normal,eu não tinha liberdade,o que deixava-me, a cada dia,mais revoltada em não poder ser como as outras meninas da minha idade eram.

Eu sentia que ele não confiava em mim,quando na verdade,muitos anos depois, descobri que ele não confiava nos outros.

Com minha revolta,passei a "bater de frente" com ele.Quanto mais tempo passava,mais discutíamos,mais brigávamos,mais nos afastávamos.Quanto mais ele proibia algo,mais eu queria fazer aquilo em questão.

Muitas vezes,revoltada e magoada,dizia coisas que eu não deveria dizer,com o intuito de magoá-lo também.E questionava Deus, por ter levado minha mãe e não meu pai.

Tínhamos muitas diferenças de pensamentos e quanto mais eu o contrariava,deixáva-o irritado.As coisas tinham que ser como ele queria.Na verdade,tudo que ele fazia era pensando em meu bem,sem perceber que tais atitudes poderiam ser mais prejudiciais do que ele podia imaginar(um dia crescemos e a vida fora de nossa casa não é a de um conto de fadas).

Apesar de tudo,eu sabia que ele me amava,assim como eu o amava,e nosso erro maior foi nunca dizermos isso um ao outro,de não demonstrarmos nosso afeto.Ele era "cabeça dura" e eu também,bem filha dele.Lamento ter sido tão imatura e orgulhosa naquela época para não ter relevado nossas brigas.

Exatos 14 anos se passaram de sua partida.O tempo,senhor de todas razões,trouxe-me a maturidade necessária e dissipou o orgulho bobo que eu tinha,não tendo medo hoje de dizer eu te amo a quem eu queira,de demonstrar meus sentimentos,de relevar e perdoar brigas.

Apesar de nossas brigas,meu pai era um homem de caráter,de palavra,de princípios,e foram essas qualidades que ele deixou-me de herança.

Aprendi que não se deve deixar para amanhã o que se pode fazer hoje.Poderá ser tarde demais.Diga eu te amo aos seus pais,familiares,amigos,amores...



(em memória de meu pai,Carlos Alberto
27/09/27 - 16/05/94)

terça-feira, 22 de abril de 2008

Eu odeio a solidão.

Odeio sentir o vazio da minha casa.

Odeio não ter com quem partilhar minha vida.

Odeio pensar que estou "envelhecendo" sozinha.

Odeio pensar que nunca serei mãe.

Odeio ficar triste.

Acho que estou odiando muito...

...mas dizem que o ódio anda junto com o amor,vai saber?

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Lembranças

Hoje,ao sabor do tempo,encontro-me nostálgica.

Lá fora,uma chuva fina encontra-se com a janela,compondo uma melodia lamuriosa.

Dentro de casa,em silêncio,viajo em pensamentos e lembranças que o tempo não apagou.Lembro-me dos dias de sol de minha infância,dos passeios no Aterro do Flamengo,dos fins de semana na casa de meus tios,dos almoços no Majórica ou no Timpanas(este hoje só existe mesmo em minhas lembranças).Ainda sinto o cheiro do pudim de pão que minha mãe fazia nos fins de semana em que ficávamos em casa e que recebíamos minha tia-avó,lembro-me da textura,do sabor...outros sabores ainda vem-me a memória,tais como as farofas ou a carne assada de minha mãe,sensações que felizmente permanecem vivas em minha mente.

E as tardes em que passei ao lado de minha mãe realizando artesanatos,fazendo colares de contas de papel,quadrinhos de sementes,de arroz,fazendo bonecas de feltro.Até hoje sofro a influências dos poucos anos criativos de nós duas.Lamento não passar adiante esses meus conhecimentos,mas somente o tempo poderá mudar isso.

Lembro-me do Calabouço,eu,uma flamenguista,em reduto vascaíno,nadando na piscina elevada,em uma manhã de domingo de junho,da água gelada,do céu encoberto,e da sensação de liberdade.Não lembro quanto tempo nadei.Talvés alguns minutos,talvés uma hora,mas sentia-me plena ali,nadando sem mais ninguém para incomodar(o que ali era difícil de acontecer).

Lembrei-me do dia em que literalmente eu cai de boca numa bacia de doce.Foi na Ilha,num pós dia de São Cosme e Damião.Era tanto doce e todo ele meu,delírio de qualquer criança.Aliás,na Ilha,eu sentia-me em minha segunda casa.Brincava no quintal,tomava banho de mangueira,ou de piscina armável,brincava com meus amigos imagináveis que eram os anões de jardim e fazia dos corredores entre os vasos de plantas uma mini-cidade.E quantos não foram meus carnavais passados ali,das fantasias,do cheiro de cachorro-quente na porta de casa,aliás,no carnaval não precisávamos sair de casa,ele era na porta.De noite eu brigava com o sono para assistir aos desfiles,mas sempre ele me vencia.Hoje,no lugar da casa,existe um banco.Nada mais ali lembra aqueles anos incríveis da minha infância,mas ainda hoje sonho passeando pela casa,passando pelo corredor,entrando nos quartos,nas salas,na cozinha.Em meus sonhos,sei que a casa não está mais lá,mas ainda a vejo da mesma forma que a vi pela úlima vez.

O tempo não perdoa.Deixa marcas,lembranças,com um gostinho de saudade.O tempo pode até passar,e passará,deixando não só as marcas em minha alma como em meu corpo,nos fios de cabelo branco que insistem em aparecer e que eu teimo em pintar,nas rugas que surgem em minha cara e que nenhum renew ou chronos conseguem mais tirar,nos quilos que engordei e não consegui eliminar.Mas meus anos incríveis da infância estarão tatuados em minha mente.

Essa bagagem é só minha e faz parte de minha colcha.

segunda-feira, 10 de março de 2008

Andei um tempo sumida.Meu tempo,um tanto escasso e mal administrado,confesso,andou curto,mas aos poucos estou acertando-me com os ponteiros.

A mudança mais radical até agora foi eu me afastar de meu velho e malígno amigo cigarro.Foram 16 anos de convívio diários,salvos curtos períodos de férias.Sim,minha dependência do cigarro era,na sua grande maioria,psicológica.Ele era meu companheiro nos maus bocados,nas depressões,nas anciedades,nos momentos de solidão,tanto que quando eu estava no convívio dos amigos eu não fumava.Não foi uma resolução de início de ano como muitos fazem(e que já me perguntaram se seria).Na verdade foi um escolha material,pois eu gastava em média R$75,00 em maços.

Nos primeiros dias eu queria matar um.Ou morrer.A abstinência psicológica deixou-me louca.Nesse período não consegui fazer muita coisa pois tudo lembrava um cigarrinho.Tudo que eu fazia tinha que colocar um mentolado na boca.Então,para não pensar nele eu dormia.Hoje,passado 2 meses longe de um,já não tenho o frenesi que tinha por fumar,embora em momentos de maior anciedade ainda desejasse uma tragada.Mas lembro-me dos benefícios,de meus pulmões me agradecendo e minha bronquite minimizando bastante,e mantenho-me longe.

Agora sim,tenho uma meta:não colocar outro vício no lugar do cigarro(muitos substituem por balinhas e chicletes,ou outros)e ainda controlar para não engordar (mais do que sou gorda).Quem sabe para contrariar eu ainda não emagreça?

Tentarei não sumir por muito tempo,embora eu esteja mergulhando em planos para mudar minha vida ainda neste 1° semestre.Mas aí é outra história,para outro dia.